domingo, 22 de Novembro de 2009
Achados que não polemizam
As azeitonas
na marcação do território
estabelecem uma constelação (nada) orgânica;
O sol
na orientação das casas
levanta a lógica para a construção dos seus muros;
As arcas
frigoríficas agora desactivadas
estão nas hortas (que o Ribeiro Telles professou), cheias
de água da chuva e tornaram-se naquilo que gosto de chamar de:
máquinas de guardar o sangue;
O velho aforismo
que exalta as rãs
e exala os homens nús (da escultura);
Mais uma ou outra construção
que não vale a pena nomear,
apenas a ressalva de que os seus ornamentos
se pintarão sempre a vermelho;
A corola
de cinco pétalas
agora tem três.
sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Mas tem de haver mais
O sangue era todo dele: Foi assim que o poeta galgou um hiato de sete séculos ao baptizar o filho.
De facto, aproximou-se de tal forma a Andrei -sete séculos antes- que podemos com verdade afirmar que aqueles ícones perfeitos um pintou e o outro revelou. Precisamente os mais austeros.
Arsenii, o poeta que tudo nomeou. Mas tem de haver mais, disse.
De facto, aproximou-se de tal forma a Andrei -sete séculos antes- que podemos com verdade afirmar que aqueles ícones perfeitos um pintou e o outro revelou. Precisamente os mais austeros.
Arsenii, o poeta que tudo nomeou. Mas tem de haver mais, disse.
quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
Tâmara Bébé.
À Joana,
Compelindo à vida sempre estiveram (mesmo que invertidas) as violentas imagens dessa doçura. Vulgo: as alamedas; e para lançar o corpo para diante, para o desejo, é que as palmeiras tem frondes. Gigantes, capazes, escadáis.
Ah mas para além da sua brava compleição, as palmeiras servem para invocar um espírito. Invocar, chamar um nome. E, per omnia, é para isso que têem nomes próprios, para que as chamem. E é por isso que as suas avenidas permitem emboscadas com flores (minúsculas) e a exuberância da botânica brotando em frutos do por vir.
segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
Pôr a mesa com mãos de dedos minúsculos
Dormire rente
em altare rente.
A luz, os ícones, os achados. A sua
minúscula disposição feminina que ao
milagre
incita
Tudo deposto
para invocar
Enquanto nós,
na nossa horizontal
posição,
tornamo-la pouco vulnerável:
habitamos o sono.
e tudo pode, subitamente,
pegar fogo, é igual.
segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
O cú das abelhas
Havia na região um antigo convento em ruínas de cujas rachas na estrutura brotavam favos de mel, que escorria parede abaixo. Julgava-se que o outrora pio edifício servia agora de colónia a milhares de abelhas que ali faziam as suas colmeias, mas a verdade é que não se ouvia um zumbido que fosse.
Como a entrada do convento ruíra, prudentemente vedando o seu acesso, o facto nunca foi comprovado e, como seria de esperar, logo entre as virgens da região nasceu o estranho costume romeiro de, a cada primavera, ir-se lamber as paredes do exconvento.
Agora os factos:
Andou por lá uma menos casta, que apesar de laboriosa e cumpridora das tarefas do espírito summa cum laude, dizia nada poder contra a naturalidade de Deus. Uma injustiça!
Quão desmedido rubedo despertava nas manhãs de Maio, ao imitar o vôo éptico e desenfreado -mas nada trémulo- sobre as flores!
A crescente exaltação que deixava florescer ao perseguir o cú das abelhas, depois toda ela traduzia no mel que escorria. Que sempre escorreu, suspeitamos.
Como a entrada do convento ruíra, prudentemente vedando o seu acesso, o facto nunca foi comprovado e, como seria de esperar, logo entre as virgens da região nasceu o estranho costume romeiro de, a cada primavera, ir-se lamber as paredes do exconvento.
Agora os factos:
Andou por lá uma menos casta, que apesar de laboriosa e cumpridora das tarefas do espírito summa cum laude, dizia nada poder contra a naturalidade de Deus. Uma injustiça!
Quão desmedido rubedo despertava nas manhãs de Maio, ao imitar o vôo éptico e desenfreado -mas nada trémulo- sobre as flores!
A crescente exaltação que deixava florescer ao perseguir o cú das abelhas, depois toda ela traduzia no mel que escorria. Que sempre escorreu, suspeitamos.
HESICASMO
Quem dera que as noites voltassem a trazer palavras escuras e completamente independentes.
Agora os sonhos atormentam-me com uma luminosidade excessiva, parecida à dos talhos ou das epifanias de esquina; agora a tenebrosa ordem volta a atacar formulando clara e convexa o nome da práctica incessante da oração do coração.
Ah, suspiro, como eram doces e nada nocivas as noites que me traziam nomes tão escuros como longínquos: COELACANTO, admirável peixe-besta. Coisa perfeitamente extinta para o meu coração.
Agora os sonhos atormentam-me com uma luminosidade excessiva, parecida à dos talhos ou das epifanias de esquina; agora a tenebrosa ordem volta a atacar formulando clara e convexa o nome da práctica incessante da oração do coração.
Ah, suspiro, como eram doces e nada nocivas as noites que me traziam nomes tão escuros como longínquos: COELACANTO, admirável peixe-besta. Coisa perfeitamente extinta para o meu coração.
terça-feira, 20 de Outubro de 2009
SCENA I (Berlim)
Aquelas carpideiras envoltas
na poeira branca que tudo cobre.
A poeira branca que não é poeira,
nem é branca,
mas isso que se desprende à violenta morte de cada virgem
e que tudo cobre
como uma tristeza infinda
e que só pode ser classificada de
magnânima
poeira
branca
por não termos das palavras
a justa
medida
da desolação:
isso que é chorado
sobre uma erosão.
As carpideiras chorando a virgem chorariam a montanha.
SEREIO (negro)
Somos os filhos perfeitos de Deus!
Somos os filhosperfeitos de Deus!
Somososfilhosperfeitosde Deus!
som
osfilh
osperfei
tosde
deus!
Somos os filhosperfeitos de Deus!
Somososfilhosperfeitosde Deus!
som
osfilh
osperfei
tosde
deus!
domingo, 4 de Outubro de 2009
Apenas a dedicatória,
Ao Joaquim porque é já o peixe negro que desde a antecâmara da vida (o desejo) soube abrir dois minúsculos olhos que me fixam atentamente.
E que me excedem.
-Filho, digo.
sábado, 26 de Setembro de 2009
Há trinta mil anos
aquelas mãos encontradas nas grutas do atlântico-sul- por vezes pretas, azuis e nunca vermelhas- são a cabeça primogénita do grito daquele
que exala
e exala ainda:
Eu sou aquele que ch-ama porque tu és nomeável,
ó virgem de quarenta cabeças, de outras trinta coroada!
Canto para pilhar os teus juncos entrançados,
a tua cabeça
alta
toda à escuta.
que exala
e exala ainda:
Eu sou aquele que ch-ama porque tu és nomeável,
ó virgem de quarenta cabeças, de outras trinta coroada!
Canto para pilhar os teus juncos entrançados,
a tua cabeça
alta
toda à escuta.
sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
domingo, 20 de Setembro de 2009
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