terça-feira, 21 de maio de 2013
el martinete
como aquele ferreiro que ao cair do dia acariciava a sua bigorna e só tinha para ela palavras cheias de asas.
- querida, dizia-lhe.
sexta-feira, 19 de abril de 2013
canto XII
O meu corpo está mudado
A minha cabeça é uma libélula
Os meus dentes são espírito-jaguar
Os meus dentes estão fora do meu controlo
O meu corpo está torto
E as minhas irmãs
Usam a espuma
Das plantas-espírito
Para pintar as minhas costas
Então eu danço
Por caminhos-sol
Por caminhos que descem
Eu vou
(terceira canção Marubo vertida para o português)
sexta-feira, 15 de março de 2013
-a dança do salmão-
com o pulso na júlia
*
ele faz dois para cá dez para lá
eu digo vem
ele escarra vai
depois da margem eu grito não
exagera! mas o lodo ganha as suas léguas
só de olhar
esguio meu amiguinho
de cornos diabólicos
por olhos, faz uma habilidade
abre a porta para eu passar
põe a mesa, serve-me sempre
o melhor osso
leva jazmim à cabeceira
da minha sesta
enfim
chama-me para que corra a ver
suas amáveis cambalhotas
no leito da morte ainda utiliza o leque
depois abarbata
o broto
a hélice que nos separa
mas a minha paciência
não
eu já conduzi
o cardume
lá onde o rio afunila
foi assim: tinha visto a minha primeira neve
-simétrico apuro incapaz do contacto,
mas seguia anestesiada de lã e de côr.
quando mo puseram nas mãos pesava como só surdo um cadáver:
foi a segunda neve
estéril
despenhando-se na terra e nas minhas botas
num carnaval de lamas
laranja, translúcida
a ova fedia de tão guardada
-é isso que na morte assusta?
o peixe
aba, alteia
resguarda
a via mas a sua
vida, não.
desbronque, meu chapa
desmonte
da selinha de escamas e vem logo para cá,
não há margens para a enxurrada
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Leopoldo María Panero tomándose desnudo en el charco de don Borges
flor das águas de onde vens, para onde vais?
insondável boto
los delfines talvez canten en alguna canción
la vibración de su nombre
-ese nombre chiaronadaoscuro que es el suyo
y del qual nada sospechan-
pero igual hablan mucho de angeles
y otras cosas que cuestan un ojo al ojo humano
dis-traen aguas
São Bartolomeu, 25 Novembro 2012
valsa de espora para chão bavárico
-são dois pra lá, dois pra cá.
para a Joana
se o veneno entra com cascos
toma estes pézinhos de lã,
a discrição do mármore é o teu antídoto.
toma estes pézinhos de lã,
a discrição do mármore é o teu antídoto.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Sister Irmã III (el Muerto, el increíble)
para a Mádá
[Aqui a descrição da sua pequeníssima e não tão contida assim pintura de Cristo A Ser Carregado Para O Sepulcro No Jardim de José de Arimatéia.
Mostrar a figura da mulher que está voltada para o observador e que nos acena freneticamente para que larguemos tudo e corramos a ver. E a levar.
Mas sobretudo mostrar a figura, a imensa possibilidade da figura de Maria Madalena que caminha destacada da multidão e cuja postura, cara, cores, em nada indicam o grau de intimidade com O Falecido.]
Janeiro 2009
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
estribilho dos sem fim
A M A A N A
a que esperou pelos meus dezasseis não viu os meus vinte, mãe
mas fez os meus trinta, cada osso luminoso dos meus trinta, mãe, cada cabelo de ouro, cada costela afilada, cada braço, cada corda, e cada grito não, lambendo sabe-se lá desde onde até aqui.
que os quarenta sejam suficientes para incorporar de vez o brilho definido do seu espírtito/ e eu espalhe benefícios!
seja como for, o oito deitado é nosso!
mas fez os meus trinta, cada osso luminoso dos meus trinta, mãe, cada cabelo de ouro, cada costela afilada, cada braço, cada corda, e cada grito não, lambendo sabe-se lá desde onde até aqui.
que os quarenta sejam suficientes para incorporar de vez o brilho definido do seu espírtito/ e eu espalhe benefícios!
quinta-feira, 19 de julho de 2012
canción de la ingrata y volteo de la espinita
Pai, sinto falta da
rédea dura que o teu coração mole nunca arrepiou
áspera, sobre a minha penungem adolescente
essa serpente que lambe,
pata visível por pata (in)visível
pata visível por pata (in)visível
os caminhos do transtorno, e trilha
os eixos da carícia desta pele morna, branda, lírica
É uma fonte tantas vezes dourada, que corre a nuca
- uma veneziana-,
e se precipita em cascata
e se enremoínha no templo da cicatriz primordial-
- uma veneziana-,
e se precipita em cascata
e se enremoínha no templo da cicatriz primordial-
o ponto equidistante entre o atlântico e o pacífico
a mata que fica no meio destas omoplatas
o ponto equidistante entre as omoplatas-
mata desmedida para as minhas costas
meu país horizontes fantasias
mas para a tua cabeça
não.
acende e excende as costas
e depois prossegue
espessando em brandura hacía la curva
até se esconder afilada e sacral
até se esconder afilada e sacral
E é ela que se espalha sobre os ombros
como uma chuva dourada
consagra o busto ao brilho
consagra o busto ao brilho
Dulcíssima armadura que distingue
a bandeira/mortalha da indomabilidade da infância
e penteia de serpenteada seara cobrindo toda a super
a bandeira/mortalha da indomabilidade da infância
e penteia de serpenteada seara cobrindo toda a super
fície da face, como disse Carlito Azevedo a super
autoestrada da crise mimética, como disse Girard
e espraia ao amor que a mim me anima o ventre, o baixo ventre,
e povoa enfim as províncias do aleitamento
circundando corolas, alinhando em espinha
as mil curvas colunares.
A branda armadura saca os dentes do cão preto da infância
quando lhe bate o sol e ela adensa em brilho como a mata delirante das nossas proibições e o tempo é só isto: dois
cães latindo
a cada extremo da abóboda celeste
assim me perco e me reencontro
assim um espelho e uma pega de caras
assim um guia do vai e vém da cabeça aos pés da deusa,
a penugem da adolescência, pai, passando, passando
abrandando
autoestrada da crise mimética, como disse Girard
e espraia ao amor que a mim me anima o ventre, o baixo ventre,
e povoa enfim as províncias do aleitamento
circundando corolas, alinhando em espinha
as mil curvas colunares.
A branda armadura saca os dentes do cão preto da infância
quando lhe bate o sol e ela adensa em brilho como a mata delirante das nossas proibições e o tempo é só isto: dois
cães latindo
a cada extremo da abóboda celeste
assim me perco e me reencontro
assim um espelho e uma pega de caras
assim um guia do vai e vém da cabeça aos pés da deusa,
a penugem da adolescência, pai, passando, passando
abrandando
A rédea que é tanta vez motor inverso do amor morto, pai
da austeridade, do pó branco do recato, do abandono servil
Pai, um freio que chicoteasse atinçando esta babugem
que é já só da raiva o seu caroço negro
Pai, agora sou uma mulher
e sirvo à tua mesa minha melhor perda de rubro,
o vinho doce da nossa fermentação:
duas azeitonas pretas
certamente amargas mas a trituraçãodelas, pai, na tua recta boca é o alimento
sacia nossa constante fome de desordem, a raia do nosso amadurecimento,
nosso cogitar sossegado.
pink pink pink pink, pink moon
Fazenda, Junho 2012
quarta-feira, 11 de julho de 2012
TRANSATLÂNTICA
EU AGORA VOU BATER PARA TODOS OS MOUROS
meu nego, por onde tanto
andô esperança, pô nha
'rena, morena morena de ser a tal
alma do parece e perece a tristezura
o piano se esforça na distância
mas a natureza dela é a nossa
transatlântica
Canta só
sábado, 30 de junho de 2012
anda, vem ver o levante
o trino uterino sistema
de ventos
que a maré lambe e lambendo esculpe
no contra-pêlo
do ovo
acosta
sexta-feira, 22 de junho de 2012
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Chegou, sorriu, venceu
I AM WHAT I AM
por me acontecerem os cabelos dourados em certas horas
por acontecer a índia
porque a ideia de um continente flutuando
permite
um país
lá há meninos, mangas, e acontecimentos dourados nos fios dos cabelos. são estrelas, senhor. passando,
por acontecer a índia
porque a ideia de um continente flutuando
permite
um país
lá há meninos, mangas, e acontecimentos dourados nos fios dos cabelos. são estrelas, senhor. passando,
passando/ atravessando
(...)
V
manga
filho cabeludo
Reconcilia/
Liberta
Reconxavía/
Redonda
Responde:
o
fora
afora
aflora
em
ó
V
manga
filho cabeludo
Reconcilia/
Liberta
Reconxavía/
Redonda
Responde:
o
fora
afora
aflora
em
ó
Lisboa, 14 de Janeiro 2012
domingo, 22 de abril de 2012
O OBJECTO DE FASCINAÇÃO E REPULSA DE AUBE ELLÉOUËT
Reduz a um filete de leite sem fim
o jorro de um ventre de vidro
sábado, 14 de abril de 2012
RODAADOR
Tão doces tarântulas trazem os deuses por olhos.
-Joana dos Espíritos
-Joana dos Espíritos
Onde estão hoje as sete escravas de ouro que vendi
para sair do Luxemburgo, cadê vocês escravinhas?
Que isto agora é o Luxemburgo
e chovem partes de automóveis e locomoção urdidas pela pinga
chovem prantos sem botos nem resgate
chove muita coisa miudinha
os cafés-réplica destilam um desespero novo, que mal tem a novidade antes pelo contrário
mas a réplica repica o original e reina
a confusão do quereres onde antes a confirmação
do círculo
isto aqui agora é o Luxemburgo
míope, tão míope
Onde está o vosso brilho agora, meninas?
Durante todos esses anos (seis) falei pra mim mesma
o que importa é que estou aqui
fit as a fucking fiddle
deixei inocência no escuro da encosta do município
(ou será condado?)
mas o que importa é que regressei
com as minhas fa
com as minhas fa-fac
com as minhas fa fac-facu-ul
as f-fa-faculdades
intactas
isto aqui é o Luxemburgo e a luz inalterável do Luxemburgo
põe os cavalos na carroça do cortejo do país
Fúnebre, bem entendido.
Onde estão vocês, sete escravas da libertação?
A primeira derreteu na minha desobediência mansa
A segunda, confesso, foi na senda da incredulidade
do seu valor, fortuna a súbita desenvoltura
do poder mover-me, hidratar-me;
Foi a terceira que me traiu- por preguiça
As outras quatro o desespero ceifou de uma vez
e a mau preço, sabia-o, mas era
preciso
fugir
E se olho para trás
bom, é porque posso.
e é por raiva, para contemplar a ruína
se volto a cabeça para trás (e precipito, rosto e tudo
na putativa cristalização do sal)
faço-o piscando o calcificado olho a X., ordeiro soldado
refém de uma caligrafia deseperadamente contida.
Se agora vos invoco, sete irmãs, é para lembrar
-toda em sal-
que a que parece a única saída
muitas vezes é única saída.
Tinha uma outra, oitava.
era de prata/ ao pescoço
encerrava o maior entre os meus poderes- não era minha
Um vómito provocado mais um par de bichas mais a noite luxemburguesa ma
a-rran-ca-ram do pescoço. Essa noite inscreveu-me na lista
da vingança, da ira, da perversão
acabei
sendo o meu próprio ladrão mas não é essa a questão.
A questão é que o mundo conspira
A questão é que o mundo gira
Isso aqui agora é o Luxemburgo
& todos os filhos
Onde estão vocês, escravas?
hoje não vos libertaria
não assim:
Oitava
tua eterna dona
está sentada no muro
Tem as meias rotas
mas olha com duas incorruptíveis tarântulas por olhos
o futuro
sexta-feira, 13 de abril de 2012
prece de um pé ao outro
Um dos meus pés chorou
Junto à sarja
molhado, distraído
E se um é chora
como fazer do outro coto
o boto
o translúcido
que não se agita
que rosa obedece e branco acredita
nessa senda de lama/ toda cama
o boto
o translúcido
que não se agita
que rosa obedece e branco acredita
nessa senda de lama/ toda cama
sem lenço/ sem documento
leva este carpintado desalado em tua boca
Boto, amigo, cavalgas/ não nadas
quarta-feira, 11 de abril de 2012
VAI PASSÁ O BOI
Tenho que pegá
viagem de gerir a fome também purifica o adro
pra que procissão prossiga/ progresse, evolutiva
também purifica o fogo do corpo
pra que quando passar
ela me inclua
viagem de gerir a fome/ esse fluxo cavalgado
abre alvos em cada esquina
luxo é tudo ser destino
e rejubila de alegria a paragem digestiva-
a felicidade é celular
-peguei!
viagem de gerir a fome também purifica o adro
pra que procissão prossiga/ progresse, evolutiva
também purifica o fogo do corpo
pra que quando passar
ela me inclua
viagem de gerir a fome/ esse fluxo cavalgado
abre alvos em cada esquina
luxo é tudo ser destino
e rejubila de alegria a paragem digestiva-
a felicidade é celular
-peguei!
domingo, 18 de março de 2012
AVA
as rosáceas do leopardo
não encerram nenhum ponto,
as do jaguar
sim
camuflada de matriz
celular
camuflada de novo modelo
para o universo,
pisa lenta impassível
a pata do não ornado
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
O ELEU
é um sim/não
sem vez
o eleu parece, desaparece. alma do parece, desparece! perece
deste
sim/não que é senão
aqui.
a alegre
a alegre transmutação do mato
a alegre transmutação da mata
o eleu, de manhã ele de noite eu.
ambos
tropeçam do desembaraço deste ver e desaparecer de ser visto
sem vez
o eleu parece, desaparece. alma do parece, desparece! perece
deste
sim/não que é senão
aqui.
a alegre
a alegre transmutação do mato
a alegre transmutação da mata
o eleu, de manhã ele de noite eu.
ambos
tropeçam do desembaraço deste ver e desaparecer de ser visto
domingo, 4 de dezembro de 2011
El Tigre
São os velhos homens humanos passando, passando, atravessando.
Atenta al tigre de la puerta.
El tigre de Borges es ese, el que todos los dias hay que cruzar para salir a la calle.
Para la charcutería y el sol hay que romper al Tigre.
Para comer hay que romper al Tigre.
Para bañarse hay que cruzarlo.
Para cuidar a su jardin hay que cruzarlo.
Que significa esto Cruzar Un Tigre?
Si salir a la calle es penetrar su entraña, que nueva orden mundial se empaña?
Que nuevo mundo empieza a dibujarse:
calles-vísceras, montañas de ocio,
cielos esplendido hueso
ríos-sospecha, corage
dobla del todo.
Hay que desazerlo para seguir
y hay que hacerlo (con los ojitos) pa volver
Volver- hacerse a su placer,
hacerse tragar de nuevo al entrar
y una vez dentro
del tigre dormir,
huír, escribir.
- Este es el Tigre de Borges, pero hay otro
ronda
y no se ve.
Lisboa, Noviembre del 2011
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Canto XV
iniki
Sou o primeiro
sou mesmo como
o açaí-demónio
acima das nuvens
rasgando o céu
assim é como sempre foi
A forma do guardião-demónio:
as folhas da árvore-demónio
essas folhas contorcem-se
lembram um enxame de pássaros-demónio
inúmeros, estão se movendo
são o mesmo
Estou mesmo cantando
enquanto do canto
do lábio escorre
sumo de tabaco
Ahhhhhh! digo! Ahhhhhhh!
Sou o primeiro
que traz ao peito
sangue de folha fresca
adornado com imagens
o losangulo-demónio
a geometria é a matriz
pela geometria aprendi
As imagens no meu peito
controlam os demónios:
sou mesmo o primeiro
sou o demónio dos demónios.
Canção Marubo passada, vertida, escorrida para o português.
Sou o primeiro
sou mesmo como
o açaí-demónio
acima das nuvens
rasgando o céu
assim é como sempre foi
A forma do guardião-demónio:
as folhas da árvore-demónio
essas folhas contorcem-se
lembram um enxame de pássaros-demónio
inúmeros, estão se movendo
são o mesmo
Estou mesmo cantando
enquanto do canto
do lábio escorre
sumo de tabaco
Ahhhhhh! digo! Ahhhhhhh!
Sou o primeiro
que traz ao peito
sangue de folha fresca
adornado com imagens
o losangulo-demónio
a geometria é a matriz
pela geometria aprendi
As imagens no meu peito
controlam os demónios:
sou mesmo o primeiro
sou o demónio dos demónios.
Canção Marubo passada, vertida, escorrida para o português.
sábado, 29 de outubro de 2011
São Paulo segundo a cabeceira de Flannery O'Connor (para Anthos)
ATÉ AGORA SOMOS O
ABSOLUTO DO MUNDO
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
descido está o anjo erradica a dor (para a Matilde)
A ALEGRIA É A PROVA DOS NOVE (OSWALD)
aparecida apareceu
(de cara pintada de amarelo porque naqueles dias só sabia pensar em jaguares)
e esta,
infelizmente
nunca soube atempadamente
que ela
era eu
E A PROA DOS NOVENTA
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
DO OBJECTO "SIM"
Quando desceu enfim
de si,
e dos olhos
das mãos
da cara de luz
Eu reconheci o meu irmão
Tinha um boi adornado na testa
escandido para a festa
Era um boi adornado para a festa
com um cd na testa
e do brilho
reflector
nasceu Esplendor:
brilhava, brilhava:
acontecia muito brilhante
tão multiplicante!
e a cara do anjo
nas quatro cardeais!
Bambu rasante
na garganta
a janta
a estrela toda a volta
de narciso em riste
é o anti-afogamento
o anti-afogamento!
na garganta
a janta
a estrela toda a volta
de narciso em riste
é o anti-afogamento
o anti-afogamento!
Era a face oculta
do querer
Era, foi, será
a óbvia seta tesa
zerando a reza
dos campos
dos mantos
dos prantos
dos sem-raíz
E dos braços adornados
que a trança em cobre
a transa encobre
manda ordena: avançe a dança!
vibra
sempre alegre o rio e teso o fio
do arco da conversa
Vejam pois, infindas
as graças de meu irmão
que antes do leite
é deleite argonado pousado
em pleno templo-
dançura marquidão
doçura negridão
Vem
coagula e paralisa o jogo
sua mão,
depois dos pássaros ele chega
e instala seu profético multicolor
Ousado no coração azul
desvenda irmão
o pleno corpo
avançado
do querer
Era, foi, será
a óbvia seta tesa
zerando a reza
dos campos
dos mantos
dos prantos
dos sem-raíz
E dos braços adornados
que a trança em cobre
a transa encobre
manda ordena: avançe a dança!
vibra
sempre alegre o rio e teso o fio
do arco da conversa
Vejam pois, infindas
as graças de meu irmão
que antes do leite
é deleite argonado pousado
em pleno templo-
dançura marquidão
doçura negridão
Vem
coagula e paralisa o jogo
sua mão,
depois dos pássaros ele chega
e instala seu profético multicolor
Ousado no coração azul
desvenda irmão
o pleno corpo
avançado
Se espalham
e gritam os átomos
do teu canto:
Ahhhhhhhhh!
e gritam os átomos
do teu canto:
Ahhhhhhhhh!
É a face alegre, alegre
equidistante
É a face alegre, alegre
equidistante
REFULGE
REFULGE
RESPLANDECE
REFULGE
RESPLANDECE
(VIRÁ QUE EU VI!)
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
A senhora H.C. explica como atravessou os delírios da atenção extrema
Patiently, patiently and persistently
Pentear-se
com o pente da loucura ou
pentear-se com o do fogo- c'est pareil
desde que se mantenha a escrupulosa
passagem dos fios
-a maior contagem do amor-
se fará da cabeça
a mesma coroa
de luz
com o pente da loucura ou
pentear-se com o do fogo- c'est pareil
desde que se mantenha a escrupulosa
passagem dos fios
-a maior contagem do amor-
se fará da cabeça
a mesma coroa
de luz
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Potawatomi Princess
Eis que da fracção bêbada nos chega
empinada num bólide rural -pink carnation & pick-up truck
eleita, a princesa do ano
Invariável rosa cárie, monstro
por dentro que coroa de plástico
os plásticos.
Agora que penso nisso não sei se
ela é a soberana ou pura perversão
do que a rodeia e nunca será parte
integrante
embora gerações de pardos tarados
não tenham feito senão a contínua
injecção de xarope de mapple
no cu laranja
E tem uma maquilhagem muito diferente
(sua exclusiva magia é a da escalada
social e a do enredo,
não se pintam mais encarando o medo)
A princesa traz a faixa e o histerismo que nunca herdou
Mas da segunda cadeira de plástico
acena também o avô
sábado, 10 de setembro de 2011
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Equânimo café da manhã
Que faríamos nós de nossa vida tão pura?
C.L.
Adoro muesli pela manhã.
Como explicar a inesperada
alegria do coco?
doçura tão súbita que atravessa
toda a dormência da língua & etc.
Detesto a aparição do verme
na fruta de cada dia.
Irrompe feroz o anúncio da podridão
Ri e ri e rindo sacode
toda a dormência da superfície.
Agradeço estas duas surpresas
& a diferença entre elas
alegria do coco?
doçura tão súbita que atravessa
toda a dormência da língua & etc.
Detesto a aparição do verme
na fruta de cada dia.
Irrompe feroz o anúncio da podridão
Ri e ri e rindo sacode
toda a dormência da superfície.
Agradeço estas duas surpresas
& a diferença entre elas
terça-feira, 2 de agosto de 2011
O índio brasileiro é o herói do western americano
Arder o prociso índio!
arder-lhe a procissão em que o escancararam, signo, bandeira, Baby Flag, ardeu.
vergonhas raspadas, o índio é de cera!
Tarados cor de perú: estáis hoje onde estáveis ontem mas esse aí,
ecce homo, ecce indú, está indu adiante
está indo o indu adiante desde o princípio dos tempos
arder-lhe a procissão em que o escancararam, signo, bandeira, Baby Flag, ardeu.
vergonhas raspadas, o índio é de cera!
Tarados cor de perú: estáis hoje onde estáveis ontem mas esse aí,
ecce homo, ecce indú, está indu adiante
está indo o indu adiante desde o princípio dos tempos
Fogo a esse folclore
estou chaman do -não ouvem?
a nova encarnação do homem
chaman aquele que chama
virá, que eu vi!
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Tuas presas reinando sobre o não-coral
(Beleza, Langor & Elegância)
um coral um colar
um cunhal letal à jugular
um punhal punhado de cores
estocado
eu brado.
um coral um colar
um cunhal letal à jugular
um punhal punhado de cores
estocado
eu brado.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
sambinha no arkansinhas
No arkansas um fogo subterrâneo
fez furor ao longo da estrada estatal
mais perto,
mas ainda assim tão longínquas
do querer,
se ergueram
cúpulas de canaviais.
São trombetas, as canas
da nossa costa:
anunciam,
rebentam por dentro
a própria alegria da novidade.
Onde outros abusam
das suas características flexíveis
para a contrução,
as canas da nossa costa
permanecem intactas,
inúteis instrumentos
de navegação que ora
dizem água,
costa,
estio,
maldade,
ora rebentam
-sem precisar de flautas
nem precedentes-
à passagem das prometidas.
Na borda da estrada estatal
um par de pés dança sem termostato
um improvável samba
com o calcanhar na batida fraca
da cadência.
Na batida fraca,
na batida fraca.
fez furor ao longo da estrada estatal
mais perto,
mas ainda assim tão longínquas
do querer,
se ergueram
cúpulas de canaviais.
São trombetas, as canas
da nossa costa:
anunciam,
rebentam por dentro
a própria alegria da novidade.
Onde outros abusam
das suas características flexíveis
para a contrução,
as canas da nossa costa
permanecem intactas,
inúteis instrumentos
de navegação que ora
dizem água,
costa,
estio,
maldade,
ora rebentam
-sem precisar de flautas
nem precedentes-
à passagem das prometidas.
Na borda da estrada estatal
um par de pés dança sem termostato
um improvável samba
com o calcanhar na batida fraca
da cadência.
Na batida fraca,
na batida fraca.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Ainda canto o índio
Não sei se era dia ou noite
quando comecei a beijar tudo cá dentro
beijei-me pai
beijei-me mãe
beijei-me filha
e unhas.
Beijei os ossinhos luminosos
e os que afiei escuros para desígnios
mal designados.
Beijei as tripas- estavam quentes
mas o consolo era genuíno.
Beijei a puta e a virgem na boca,
beijei-me homem, lobo, caralho
e à desprezada concedi o tempo
que passei aos pés da idolatrada
& vice versa.
Beijei tudo, tudinho
e cada lago era uma poça
cada pântano, saliva.
Mas quando beijei o meu carro
era beijo de ir embora
-entendo que o beijo tudo despede,
arranco-
e a canção, como a ilusão,
tem de acabar.
E que eu permaneça
me amando
enquanto esta terra sustentadora de árvores se estenda.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
À mesa de Adua
Disse o profeta daquele que canta, que dança, que, enfim, está morto.
Arcontemplação da gíria celeste
e Francisco brilhando escuro no escuro
do escudo
Um phalo phlorido de cujo deus a espada
é o ressentimento.
De uma a outra chaga,
perfeito é o eixo
perfeita
a infra estelar
costela
como uma flecha de paredes óptimas
desafiando o destino,
desfiando a trajectória.
Flecha no ponto negro vigiado:
Ciúme- era a garganta
Tacha no ponto certo
do azimute:
Pai- era de ouro.
A linguagem, filo mena
é o braço que vai de deus
às coisas mudas
E INIJI já só deseja a língua
nela calcifica o instante
todo
dos dentes
/
de todos os dentes.
sábado, 21 de maio de 2011
I.
Não saberia destrançar a canção do feitiço.
Eu sou a primeira,
aquilo que de mim é azul
fala de cobras azuis
está falando de certas azuis verdades,
e do meu caralho.
Digo:
Eu sou o primeiro,
Descendemos dos xamãs
Somos os filhos do povo jaguar
Somos os galhos da árvore jaguar
Somos os dentes da boca jaguar
O lugar de sangue
que cria a criança cria o demónio
O lugar de sangue
E ensinar é criar
Quando a última palavra se calar
Isto será o que eu penso
Isto será o que eu digo
Estou morto, morto, morta!
Estou morta
Mas voltarei em melhor forma
Ahhhhhh! Era isto que eu tinha para dizer! Ahhhhhh!
Eu sou a primeira,
aquilo que de mim é azul
fala de cobras azuis
está falando de certas azuis verdades,
e do meu caralho.
Digo:
Eu sou o primeiro,
Descendemos dos xamãs
Somos os filhos do povo jaguar
Somos os galhos da árvore jaguar
Somos os dentes da boca jaguar
O lugar de sangue
que cria a criança cria o demónio
O lugar de sangue
E ensinar é criar
Quando a última palavra se calar
Isto será o que eu penso
Isto será o que eu digo
Estou morto, morto, morta!
Estou morta
Mas voltarei em melhor forma
Ahhhhhh! Era isto que eu tinha para dizer! Ahhhhhh!
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Yasaí++
Curumim, O curumim
Porque cantas tão bem?
-Passo as tardes a chamar pelos meus irmãos
As noites, pelas minhas mães
Yasaí: do tupi-guarani quer dizer "fruta que chora".Porque cantas tão bem?
-Passo as tardes a chamar pelos meus irmãos
As noites, pelas minhas mães
Toda matéria prima para ser beneficiada precisa "chorar",
ou seja, cair das árvores para ser utilizada.
Pousai, peço, a atenção no índio, no índio que ao ritmo inalou e exalou esta explicação, dulcíssima orquestração no tear da pausa; no índio índico, índio indício claro, claro como um advento.
Curumim O curumim
Porque cantas tão bem?
-Assobiando o coração nunca se arrasta,
diz a mãe.
Porque cantas tão bem?
-Assobiando o coração nunca se arrasta,
diz a mãe.
Curumim, O curumim,
Porque cantas tão bem?
-O assobio sopra o sopro,
pá.
Porque cantas tão bem?
-O assobio sopra o sopro,
pá.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Tradução da loucura em vésperas pascais
Mensagem 0890:
<< Um tiro de ferro foi visto a sair de um carro branco inconformado. >>
Estamos feitos, pensei, mas temos tempo
o nosso é um cadillac torrado.
Mas matar um homem dá direito a uma só coroa: a eternidade da sua cabeceira.
E de tanto me esvaíres, meu morto, te tornaste meu
pai, meu esposo, meu
filho.
A tua morte chega diariamente,
diariamente renovando o
susto, a tua hora
com cada dia chega a tua hora.
Depois com a noite
cada passo meu é uma ruína
convocando
a inumerável horda de bárbaros
que a crosta terrestre aparca:
Romanos!
Cabeleiras loiras!
Anjos nocturnos!
Todos se levantam para a minha tortura.
Já não penso em Vós, Senhor. Já não penso em Vós.
Benedita Escala
<< Um tiro de ferro foi visto a sair de um carro branco inconformado. >>
Estamos feitos, pensei, mas temos tempo
o nosso é um cadillac torrado.
Mas matar um homem dá direito a uma só coroa: a eternidade da sua cabeceira.
E de tanto me esvaíres, meu morto, te tornaste meu
pai, meu esposo, meu
filho.
A tua morte chega diariamente,
diariamente renovando o
susto, a tua hora
com cada dia chega a tua hora.
Depois com a noite
cada passo meu é uma ruína
convocando
a inumerável horda de bárbaros
que a crosta terrestre aparca:
Romanos!
Cabeleiras loiras!
Anjos nocturnos!
Todos se levantam para a minha tortura.
Já não penso em Vós, Senhor. Já não penso em Vós.
Benedita Escala
segunda-feira, 18 de abril de 2011
A EDIFICAÇÃO DA JANGADA DEPOIS DE JOSÉ LEZAMA LIMA CRESCER NO MAR
COMO AQUELE PÁSSARO PERSA, A JANGADA JORRA A PROA
NAS QUATRO DIRECÇÕES CARDEAIS
GOLPEADA POR UM GROTESCO EOLO
INEXAURÍVEL DERROTA -É A VITÓRIA?-
QUER DOBRAR A QUINA À CURVA
A PROA FABRICA UM ABISMO PARA
QUE O GRANDE VENTO LHE MORDA OS OSSOS
E CRESCEM OS OSSOS ABISMADOS
COM AS AREIAS QUENTES AS PEDRAS DO CORPO
DURANTE O SONO CRESCEM
E CRESCEM OS TOMATES COM O RELÓGIO CENTRAL
CRESCE NO AMOLE-CIMENTO A MADEIRA
El alción, el paje y el barco mastican su concéntrico.
GIRA A EMBARCAÇÃO EM DIRECÇÃO
A UM CENTRO DE SEDA
COM AS SUAS VELAS PRESUNÇOSAS
ATÉ SE ANCORAR NUM CÍRCULO
AZUL INALTERÁVEL
DE BORDAS AMARELAS
ATÉ SE ANCORAR NA QUADRICULADA LENTE
DE UM PRISMÁTICO
NAS QUATRO DIRECÇÕES CARDEAIS
GOLPEADA POR UM GROTESCO EOLO
INEXAURÍVEL DERROTA -É A VITÓRIA?-
QUER DOBRAR A QUINA À CURVA
A PROA FABRICA UM ABISMO PARA
QUE O GRANDE VENTO LHE MORDA OS OSSOS
E CRESCEM OS OSSOS ABISMADOS
COM AS AREIAS QUENTES AS PEDRAS DO CORPO
DURANTE O SONO CRESCEM
E CRESCEM OS TOMATES COM O RELÓGIO CENTRAL
CRESCE NO AMOLE-CIMENTO A MADEIRA
El alción, el paje y el barco mastican su concéntrico.
GIRA A EMBARCAÇÃO EM DIRECÇÃO
A UM CENTRO DE SEDA
COM AS SUAS VELAS PRESUNÇOSAS
ATÉ SE ANCORAR NUM CÍRCULO
AZUL INALTERÁVEL
DE BORDAS AMARELAS
ATÉ SE ANCORAR NA QUADRICULADA LENTE
DE UM PRISMÁTICO
segunda-feira, 11 de abril de 2011
O Livro
Cascavel, ó cascavel
Porque tens os dentes tão brancos?
Passei a vida na selva deitada,
E tudo o que fiz foi morder
Porque tens os dentes tão brancos?
Passei a vida na selva deitada,
E tudo o que fiz foi morder
Magnífico objecto verde
Magníficas verdes polpas,
ao amor táctil magnificadas
Magnífico orgão verde,
agênsica língua.
E verde ainda o infinito
ésse:
Muskarat, O Muskarat
sábado, 9 de abril de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
PAQUE À NEW YORK
Seigneur, la foule des pauvres pour qui vous fîtes
le Sacrifice
Est ici, parquée, tassée, comme du bétail, dans les hospices.
Desemboco intacta na coroa
desta corrida:
A cidade está cheia de
corredores mas por
todo o lado o desejo
de pontes e riachos
e aquela escala tão infantil,
abrem fendas nos meus sonhos,
confundem-me.
Mesmo a nova
ior
quer-se
bucólica. Sei-o quando no meu sonho
vejo toda a perfeição rural
continuamente -mas intacta-
perpassada pela turba de gente
empurrando.
Tudo isto para desaguar na cátedra
onde cada coluna inscreve a bronze
seus atributos e convoca
os respectivos discípulos
que alardem os louvores gravados
contra a frágil existência
do poema.
É a super-estrutura do engano, penso.
E logo depois acordo para uma
sala de convenções
e um corpo nu, disponível.
És tu, Eurídice,
ou sou eu?
Mas como despertar para a
oração matinal?
Em Nova Iorque não há sinos.
Benedita Escala
le Sacrifice
Est ici, parquée, tassée, comme du bétail, dans les hospices.
Desemboco intacta na coroa
desta corrida:
A cidade está cheia de
corredores mas por
todo o lado o desejo
de pontes e riachos
e aquela escala tão infantil,
abrem fendas nos meus sonhos,
confundem-me.
Mesmo a nova
ior
quer-se
bucólica. Sei-o quando no meu sonho
vejo toda a perfeição rural
continuamente -mas intacta-
perpassada pela turba de gente
empurrando.
Tudo isto para desaguar na cátedra
onde cada coluna inscreve a bronze
seus atributos e convoca
os respectivos discípulos
que alardem os louvores gravados
contra a frágil existência
do poema.
É a super-estrutura do engano, penso.
E logo depois acordo para uma
sala de convenções
e um corpo nu, disponível.
És tu, Eurídice,
ou sou eu?
Mas como despertar para a
oração matinal?
Em Nova Iorque não há sinos.
Benedita Escala
quinta-feira, 31 de março de 2011
I Heard It Through The Grapevine
Grandes pedaços de couro caem da diligência do mesmo jeito que cai a carne.
E talvez por tamanho excesso de matéria orgânica - carne, pele, esperma, pó,
deste bólide se excluem os cavalos
ou qualquer força motora animal
para além da vontade própria dos meus ante braços
e do eixo do corpo todo vertido na velocidade.
Derrapagens alucinantes! Nuvens de pó!
se pudessem cheirar o couro galgante
não gritariam tanto
os meus passageiros
Dezembro 2010
quarta-feira, 30 de março de 2011
DOVE VA QUESTO AGNELLO?
para a mão na África
Gritou a excisão da língua.Ele, que é o manso, que não
levanta o braço para ferir
ferindo se proclama de outrem
Sou o cordeiro de Nana
Sou o cordeiro de Nana
Sou de Nana Nana Na
Grita a excisão cantante
Esse que apenas pede
um lance na complicação
de tudo o que não se cala.
E portanto fere, perscruta, dança a
dança da ordem impiedosa
-Rezai assim:
quarta-feira, 9 de março de 2011
terça-feira, 1 de março de 2011
अवे एक्सुद्र औ वू
EXUDRA O VOO DO PÁSSARO
QUE É SÓ UM E SÓ UM SE REPARTE
TODO
PELAS MIL ASAS DA MANHÃ
ANTHOS DISSE A AVE INVENTA O VOO
E ISTO É O PENSAMENTO A PENSAR-SE
CANTO ÀQUELE PÁSSARO QUE
DE ALGUMA FORMA
É TODOS OS PÁSSAROS
CANTO EXPLICO,
CANTO E A CARA DO ANJO
ESCANDE AO MESMO TEMPO
PELAS QUATRO परदेस
AS QUATRO
-CARDEAIS!-
DIRECÇÕES DO VENTO!
MENINA PRÓDIGA EM EMBLEMAS,
MENINA AZUL,
MENINA FARSA
COLANDO
CALANDO O AD ETERNUM EM
EM SÍMBOLOS;
VISÕES DE BANDOS;
ARCONTEMPLAÇÕES DA GÍRIA CELESTE;
ABÓDODAS ACUPLADAS ;
E MANIFESTAÇÕES DA CARNE DENTRO,
A PENETRADA.
CANTANDO SOMENTE
AO VENTO QUE PASSA
E OS RISOS, AS ORQUESTRAS, AS FLORESTAS
A FESTAS E O FOGO,
O QUE ARDE!
O QUE DE UMA VOLTA TUDO GALGA
E NO INCÊNDIO JÁ SEM PORTA
O ÍNDIO CABELUDO VOLTANDO-SE
E EM VEZ DA DESPEDIDA (ERA A MORTE)
DEIXA CAIR O MANTO:
POSSO AINDA LEVAR ALGUMAS AVES COMIGO,
ANDA, PÁSSARO.
QUE É SÓ UM E SÓ UM SE REPARTE
TODO
PELAS MIL ASAS DA MANHÃ
ANTHOS DISSE A AVE INVENTA O VOO
E ISTO É O PENSAMENTO A PENSAR-SE
CANTO ÀQUELE PÁSSARO QUE
DE ALGUMA FORMA
É TODOS OS PÁSSAROS
CANTO EXPLICO,
CANTO E A CARA DO ANJO
ESCANDE AO MESMO TEMPO
PELAS QUATRO परदेस
AS QUATRO
-CARDEAIS!-
DIRECÇÕES DO VENTO!
MENINA PRÓDIGA EM EMBLEMAS,
MENINA AZUL,
MENINA FARSA
COLANDO
CALANDO O AD ETERNUM EM
EM SÍMBOLOS;
VISÕES DE BANDOS;
ARCONTEMPLAÇÕES DA GÍRIA CELESTE;
ABÓDODAS ACUPLADAS ;
E MANIFESTAÇÕES DA CARNE DENTRO,
A PENETRADA.
CANTANDO SOMENTE
AO VENTO QUE PASSA
E OS RISOS, AS ORQUESTRAS, AS FLORESTAS
A FESTAS E O FOGO,
O QUE ARDE!
O QUE DE UMA VOLTA TUDO GALGA
E NO INCÊNDIO JÁ SEM PORTA
O ÍNDIO CABELUDO VOLTANDO-SE
E EM VEZ DA DESPEDIDA (ERA A MORTE)
DEIXA CAIR O MANTO:
POSSO AINDA LEVAR ALGUMAS AVES COMIGO,
ANDA, PÁSSARO.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
अवे एक्सुद्र ओ वू
Proa plural de benção que à passagem a mulher canta: Desnuda a culpa, chama ao vento, desnuda o vento, chama à cúpula. É a tangente, é a tangente. Cê ponto proa, ponto índio, ponto filo afilado na quilha fálica. Tudo isto a luz na água asperge.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
A NAVE ESPACIAL
Lapidada foi, uma cabaça
até que do seu centro gravitacional
se destituiu a graça
e ela pôde, enfim,
flutuar.
E se a cabaça girou lenta no ar
e permitiu no espaço
o claro desenho da sua órbita,
o repolho, a couve, o abacaxi
giram em vórtices alucinados
insondáveis e impacientes.
Ó como são belos os frutos
com os seus corpos fractais tão propícios ao exagero.
Lapidados, voam como naves espaciais.
O mundo é extraterrestre.
até que do seu centro gravitacional
se destituiu a graça
e ela pôde, enfim,
flutuar.
E se a cabaça girou lenta no ar
e permitiu no espaço
o claro desenho da sua órbita,
o repolho, a couve, o abacaxi
giram em vórtices alucinados
insondáveis e impacientes.
Ó como são belos os frutos
com os seus corpos fractais tão propícios ao exagero.
Lapidados, voam como naves espaciais.
O mundo é extraterrestre.
sábado, 11 de dezembro de 2010
A Prática.
ābāhu puruṣākāraṁ śaṅkhacakrāsi dhāriṇam |
sahasra śirasaṁ śvetam praṇamāmi patañjalim ||
Tomando a forma de um homem até aos ombros,
segurando uma concha, um disco, e uma espada,
De mil cabeças brancas coroado,
A Patanjali, eu saúdo.
sahasra śirasaṁ śvetam praṇamāmi patañjalim ||
Tomando a forma de um homem até aos ombros,
segurando uma concha, um disco, e uma espada,
De mil cabeças brancas coroado,
A Patanjali, eu saúdo.
I.
Depois da chacina (crânios rachados ao meio)
os eleitos preparam o chão:
Delimitam o perímetro sagrado com minúsculas medalhas de lacre.
Aí dormirão, comerão, e se exercitarão
com as cabeças rentes àquelas medalhas
que delimitam o dojo-
então toda a sua vida uma missa e uma oração. Da prática.
então toda a vida -e por esta ordem- uma oração, um remédio, uma selva, uma vénia.
À mulher que sobrevive (misericórdia?),
espera-a outro perímetro,
o desdobramento interior correspondente à arena,
exíguo e exclusivo.
É a vénia às mil cabeças acima- o Canto.
E canta:
Patanjali me poupou,
escolheu-me para me ensinar.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
DE RERUM NATURA
A ARTE É A PRAXIS DO ESPANTO
FUNDIR ( A BRONZE ) UMA FOLHA (DE ÁRVORE) GROSSA.
OH, ESPERAR QUE SUA MEMBRANA AGUENTE O IMENSO METAL
O TEMPO SUFICIENTE
PARE SE TRANSFORMAR NELE
PARA SEMPRE
E PARA SEMPRE TAMBÉM
ELE (O METAL) PODER BROTAR
NATURAL
FUNDIR ( A BRONZE ) UMA FOLHA (DE ÁRVORE) GROSSA.
OH, ESPERAR QUE SUA MEMBRANA AGUENTE O IMENSO METAL
O TEMPO SUFICIENTE
PARE SE TRANSFORMAR NELE
PARA SEMPRE
E PARA SEMPRE TAMBÉM
ELE (O METAL) PODER BROTAR
NATURAL
sábado, 13 de novembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
A Paixão e a Prisão de SJC
Dentro do príncipe morava o rei e dentro deste o primeiro orava,
o que por um se conquistava o outro enaltecia,
e o que a um se abandonava o outro rejeitava.
A tudo isto um sopro acrescia,
Um nomeado, é certo,
mas cujo canto soprava onde queria.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
JOELHO
A PRÁCTICA
TRAZ-ME O IN
ÍCIO QUE O
FIM CO
SE:
REBENTÁDOR,
RASGÃOLIGANTE!
TEM DE SER ESTA
A ESTREITA
PASSAG
EM PAR
A O VÔ
O
A PRÁCTICA
TRAZ-ME O IN
ÍCIO QUE O
FIM CO
SE:
REBENTÁDOR,
RASGÃOLIGANTE!
TEM DE SER ESTA
A ESTREITA
PASSAG
EM PAR
A O VÔ
O
A PRÁCTICA
TRAZ-ME O IN
ÍCIO QUE O
FIM CO
SE:
REBENTÁDOR,
RASGÃOLIGANTE!
TEM DE SER ESTA
A ESTREITA
PASSAG
EM PAR
A O VÔ
O
TRAZ-ME O IN
ÍCIO QUE O
FIM CO
SE:
REBENTÁDOR,
RASGÃOLIGANTE!
TEM DE SER ESTA
A ESTREITA
PASSAG
EM PAR
A O VÔ
O
A PRÁCTICA
TRAZ-ME O IN
ÍCIO QUE O
FIM CO
SE:
REBENTÁDOR,
RASGÃOLIGANTE!
TEM DE SER ESTA
A ESTREITA
PASSAG
EM PAR
A O VÔ
O
A PRÁCTICA
TRAZ-ME O IN
ÍCIO QUE O
FIM CO
SE:
REBENTÁDOR,
RASGÃOLIGANTE!
TEM DE SER ESTA
A ESTREITA
PASSAG
EM PAR
A O VÔ
O
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Depois de Augusto,
come a flauta o poeta
alisa a tua seda saia sedenta
come a flauta o poeta
arranha os avessos do nome, prepara
o cabelo,
o alto nome,
as trinta cabeças entrançadas
em estacas juncos vivantes
bífidos assobios
come a flauta poeta:
aqui eu digo o meu agora
alisa a tua seda saia sedenta
come a flauta o poeta
arranha os avessos do nome, prepara
o cabelo,
o alto nome,
as trinta cabeças entrançadas
em estacas juncos vivantes
bífidos assobios
come a flauta poeta:
aqui eu digo o meu agora
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
O AMOR SÃO DOIS LEÕES ARRANHANDO A PELE DO AMOR E NÃO O CERNE DO AMOR
EXISTIRMOS, A QUE SERÁ QUE DESTINA?
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Salvador, BA
Beware, he went on saying, of all kinds of anthropologists. They never are concerned nor mention in any way that outer axis.
This he told me looking much like an icon, the palm of his hand outward, his legs folded before him. Crowning him, the dreadful accent of passengers. And just perhaps he might have married one, long before.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Vida índia
Uma aragem verde a principal prática periódica da lavra. Uma que sulca o próprio ventre, fibra, plasma, até à afinação do osso e sua total resplandescência. Uma pulição que não promete, só entrega e entrega e se entrega. Coroa uma espiral de entendimento a redenção que se desenrola num movimento ascendente, por dentro mesmo da fibra vegetal. Coroa o solo. Coroa o olho. Uma selvajaria que é o próprio método, o próprio mergulho, o próprio desdém.
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