quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Al revés
A construção da mesa (eucarística, claro está) acerca-se do cerco daquele comovido palácio (augusta propriedade de exílio de K., o incívil chefe de cerimónias) com a velocidade com que as flechas medievais se aproximam do seu directo destino: sem uma pestana. Uma iridescente cadência ascendente. Que galopa.
Primeiro, a estrutura servindo a gravidade; depois, o plano do tampo garantindo a perpendicularidade e com ela o mísero ensaio de uma eternidade que a podridão raia- tal como apodreceram os modelos das naturezas mortas, para lá da sua fixação a óleo; (Antes que borboleta bata as suas asquerosas asas duas vezes, já a mesa se ergueu, se põs, e se dispôs.) E nunca, durante a célere construção, qualquer coisa que possa, ainda que remotamente, guardar a lentidão síncopa do seu bailado posterior. Sim, por último nunca o olho de Deus.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
para tocar o outro lado da tua cara
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
The slope - Now see to it.
Em cada uma delas, uma assinatura surpreendentemente infantil de exasperada caligrafia minúscula faziam daquele o único nome. Foi como um amor irrecuperável.
O encontro com a profusa autora foi igualmente inesperado. Passo a relatar: Enquanto pilhava a divisão, caíram (de bruços mesmo) estes olhos sobre um par de óculos de massa vermelha que estavam pousados na mesa camilha. Imediatamente soube que eram os teus, que ali tinhas estado a ler. Soube, entre outras coisas, quem eras, a forma da tua cara, o teu papel naquela complicada família.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Azizi
By the side of the dam of the stream;
Where the wet fishing nets are drying,
The carriage jogs on, and I muse.
Tolstoy
vai um Judeu novo.
A pedra ecoa os passos
enquanto a barba
(negra) em capicua
apara as lágrimas.
E embora o homem chore
sem tristeza e deambule
o próprio caminho para casa,
são 1) a luz, difusa mas focal
e 2) o som, único, distinto, repercurtido,
quem abrem a boca
do espanto.
Um rapaz pequeno
de olhos pretos lamenta
a gaiola do seu pássaro azul
que lamenta a gaiola do seu menino
grande.
Como sei eu estas coisas,
como distingo, com quotidiana angústia
cada som, a própria barba
do Judeu?
Tudo isto aconteceu já,
Só não sei dizer quando.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
A CABEÇA PRIMOGÉNITA
ANTÃO o meu primeiro. Antão de membros maciços, de canto estouvado, Antão.
Da tua cabeça saiu intacta e ininterrupta, toda a doutrina -oral, orada- que podemos, ainda que remotamente, vislumbrar dos anacoretas.
Do teu corpo compacto, a quietude divina destilando a hesychìa te tornou inamovível, de fogo.
Agora pode ver-se que depois de ti se perfila -mais ou menos ordenadamente- a tremenda linhagem soberana.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Mas tem de haver mais.
SOMOSOSFILHOSPERFEITOSDEDEUSCAÍMOSDOCÉUFEITOUMALUZSOMOSOSFILHOSPERFEITOSDEDEUSSOMOSOSFILHOSPERFEITOSDEDEUSSOMOSOSFILHOSPERFEITOSDEDEUS!
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Hay que luchar pero sin perder la ternura jamás
Tento ainda, sobre tudo o resto, não perder a cadência que me trouxeste junto com a leviandade da mesma. O despudor do ritmo, bendita sejas. Do arranhão de 1,71 m não falarei, que embora tentasse, perdi na luta toda a nomenclatura para a oração.
E o ano que vem trará o retrato de um santo (híbrido), está dito.
O quadrado de R.V.
O quadrado (de luz) que RV inscreveu no espaço usando sem mesmo usar o calcanhar na batida forte, apagou uma certa noite escura da história do samba, no geral. Quebrando o tempo naquela ligeiríssima suspensão, apagou o peso inscrito no pé e rodou para além do próprio bailarino. Como se fosse alguém que, já morto, voltasse e se apresentasse aos vivos dançando daquela maneira, trazendo para a vida uma ligeireza a ela desconhecida, de tão fácil. Como a primeira leitura do poema.
Essa aparição física do ex-bailarino provocou em nós, os vivos, um espanto branco, inexorável mesmo. Porém a apresentação do bailarino, essa dádiva, é algo que, suspeito, continuará a ressoar pelos séculos dos séculos da ginga. E para a qual não temos outra paga senão a passista.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Moscovo, Holiday Inn
é um punhado de cinzas.
e com isto
o poema tardará.
como uma invocação formulaica,
perguntas como se pode resistir à tristeza
(que a alguém tornou belo)
quando é de manhã, tarde
na manhã,
e curiosamente é a este
insalubre quarto de hotel
que chega a obstinação primaveril.
como se a vida tardasse em chegar-te,
como (tarda) um jardim a estes baldios
de neve.
A prática do coração
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Algumas Chaves Para a Leitura do Poema Precedendo o Mesmo
Poeta (Identificação) - Aquele que se reconhece entre os outros pelas palmas das mãos. Vermelhas. E alguns nomes escritos nas costas.
Juízo- O preço que iremos pagar pelo desprezo que temos pelos alimentos que comemos.
Buraco- Não a passagem mas o túmulo- útero que esteve, sempre estará, à boca
daquelas mãos descritas anteriormente.
Água- um único curso a apontar: aquele que escorre.
Leite- o mesmo curso acima descrito.
A coroa- Aquilo a que os cristãos chamam cruz, antes de dizer escuridão.
És fogo,
Tua roupa é fogo:
Quais destes dois fogos eu posso suportar?
The Milk Spilling
O (poeta) menino viu no barulho do mar viu na espessura do líquido viu cobrindo o seio direito da mulher um búzio que (anos) mais tarde ele colocou sobre o próprio peito e que mais tarde ainda coroou de leite. O agora homem parodiando, isto é, vivendo, de leite enche o búzio e por ele bebe até a barba escorrer os rios daquela água esbranquiçada.
Sabemos que casou -e que do matrimónio extraiu seus benefícios- porque em redor de uma garrafa grande de vidro azul estão, como num colar, pendurados dois búzios: o tal redondo e um segundo, mais pontiagudo.
domingo, 22 de novembro de 2009
Achados que não polemizam
As azeitonas
na marcação do território
estabelecem uma constelação (nada) orgânica;
O sol
na orientação das casas
levanta a lógica para a construção dos seus muros;
As arcas
frigoríficas agora desactivadas
estão nas hortas (que o Ribeiro Telles professou), cheias
de água da chuva e tornaram-se naquilo que gosto de chamar de:
máquinas de guardar o sangue;
O velho aforismo
que exalta as rãs
e exala os homens nús (da escultura);
Mais uma ou outra construção
que não vale a pena nomear,
apenas a ressalva de que os seus ornamentos
se pintarão sempre a vermelho;
A corola
de cinco pétalas
agora tem três.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Mas tem de haver mais
De facto, aproximou-se de tal forma a Andrei -sete séculos antes- que podemos com verdade afirmar que aqueles ícones perfeitos um pintou e o outro revelou. Precisamente os mais austeros.
Arsenii, o poeta que tudo nomeou. Mas tem de haver mais, disse.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Tâmara Bébé.
Compelindo à vida sempre estiveram (mesmo que invertidas) as violentas imagens dessa doçura. Vulgo: as alamedas; e para lançar o corpo para diante, para o desejo, é que as palmeiras tem frondes. Gigantes, capazes, escadáis.
Ah mas para além da sua brava compleição, as palmeiras servem para invocar um espírito. Invocar, chamar um nome. E, per omnia, é para isso que têem nomes próprios, para que as chamem. E é por isso que as suas avenidas permitem emboscadas com flores (minúsculas) e a exuberância da botânica brotando em frutos do por vir.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Pôr a mesa com mãos de dedos minúsculos
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
O cú das abelhas
Como a entrada do convento ruíra, prudentemente vedando o seu acesso, o facto nunca foi comprovado e, como seria de esperar, logo entre as virgens da região nasceu o estranho costume romeiro de, a cada primavera, ir-se lamber as paredes do exconvento.
Agora os factos:
Andou por lá uma menos casta, que apesar de laboriosa e cumpridora das tarefas do espírito summa cum laude, dizia nada poder contra a naturalidade de Deus. Uma injustiça!
Quão desmedido rubedo despertava nas manhãs de Maio, ao imitar o vôo éptico e desenfreado -mas nada trémulo- sobre as flores!
A crescente exaltação que deixava florescer ao perseguir o cú das abelhas, depois toda ela traduzia no mel que escorria. Que sempre escorreu, suspeitamos.
HESICASMO
Agora os sonhos atormentam-me com uma luminosidade excessiva, parecida à dos talhos ou das epifanias de esquina; agora a tenebrosa ordem volta a atacar formulando clara e convexa o nome da práctica incessante da oração do coração.
Ah, suspiro, como eram doces e nada nocivas as noites que me traziam nomes tão escuros como longínquos: COELACANTO, admirável peixe-besta. Coisa perfeitamente extinta para o meu coração.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
SCENA I (Berlim)
Aquelas carpideiras envoltas
na poeira branca que tudo cobre.
A poeira branca que não é poeira,
nem é branca,
mas isso que se desprende à violenta morte de cada virgem
e que tudo cobre
como uma tristeza infinda
e que só pode ser classificada de
magnânima
poeira
branca
por não termos das palavras
a justa
medida
da desolação:
isso que é chorado
sobre uma erosão.
As carpideiras chorando a virgem chorariam a montanha.
SEREIO (negro)
Somos os filhosperfeitos de Deus!
Somososfilhosperfeitosde Deus!
som
osfilh
osperfei
tosde
deus!
domingo, 4 de outubro de 2009
Apenas a dedicatória,
Ao Joaquim porque é já o peixe negro que desde a antecâmara da vida (o desejo) soube abrir dois minúsculos olhos que me fixam atentamente.
E que me excedem.
-Filho, digo.
sábado, 26 de setembro de 2009
Há trinta mil anos
que exala
e exala ainda:
Eu sou aquele que ch-ama porque tu és nomeável,
ó virgem de quarenta cabeças, de outras trinta coroada!
Canto para pilhar os teus juncos entrançados,
a tua cabeça
alta
toda à escuta.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
domingo, 20 de setembro de 2009
Nova Novo Brando Som - Artéia a última palavra de milhares de peixes negros esdita.
Naquele
Portanto não era Rinpoche M. a cabeça do poema, embora fosse o pulso que o pôde escrever porque à noite um homem é também a hipótese de fecundação. E é ele, o poeta, que inspira e exala a 0.01 peixes negros por segundo o sémen que refulga, e refulge de uma só volta como a uma caverna o mar; e entrando-o ela volta a sair, fecunda, prenhe daquelas milhares de cabecinhas que depois esmagaria para poder escrever a tinta.
sábado, 12 de setembro de 2009
EFRAÍN,
chamei-te mas
tinhas partido já
cheio do espirito
e eu que ficasse cheia
da tua espada de carne.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
sábado, 8 de agosto de 2009
terça-feira, 21 de julho de 2009
Vem (Não vem)
Lógica para a construção do murete II
A. pousa a enxada para fazer o segundo sangramento do dia: me embrujaste, me embrujaste.
notas para a construção,
terça-feira, 7 de julho de 2009
Détachement
segunda-feira, 22 de junho de 2009
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Gumbo
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Na noite que a serra escande
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Palmeiras com nomes próprios
Uma grave e arguta elucidação em alemão para as massas salvou meu desenho a carvão- explicou-me, quebra por quebra, as tensões circulares a que se ofereceria, antes de tudo, antes do olho. Assim, desde última fila no topo da colina até à boca da ópera (era uma montanha) deixei que ele se fizesse e me entreguei no esforço de acompanhar aquilo que já por si desbravaria (é uma canseira a vocação).
Regressei de trabalho feito para uma montanha vazia, um irmão já crescido, os amigos perdidos.
Louco o homem que trabalhou, que se afincou numa lavra e nessa distância sulcou bem fundo um trabalho, uma obsessão. E agora de trabalho feito, a vida cava no corpo (nas mãos) uma ressaca e o nosso louco declina a sua companhia natural, essa doença, e sai para a costa. Digamos: é a festa do estio.
E se ele raivoso procura desenfreadamente colina acima, colina abaixo, desfazer-se com as marés; beber em quantidades idênticas ao que pensa ser a piscina do mar; correr pelo meio dos cardos, picar-se; deixar, e arrepender-se de ter deixado, o livro à guarda de um carcereiro alimentador de ratas do tamanho de pequenos leõezinhos (que vêm comer à mão dela, que é a prisioneira-mor), é porque chegada a noite ou lá o que é, se deita para dormir e sonha, sonha muito. Que consigo descem pelas encostas todos os queridos, e que ao subir encontra, já sem surpresa, os desaparecidos.
Minha mãe eu
corro.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
The slope II
Eu penso nela. O corredor não pensa em nada. Lá dentro um homem -novo- perde a cara, a juventude e quiçá a parca vida.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
"TATU"
Portanto num painel de azulejos mandei inscrever a misteriosa legenda. Agora, como a um medalhão, dedico-me a olvidar o resto e a habitar somente essa legenda com a estranheza da deslocação. Admito que exista, sim, a intenção de um lento cultivo para o delicado desconforto do lar. E talvez com o fim do Verão ele chegue assim, como uma jóia- a ostentação de um quase constante desfasamento.
Faço tudo o que posso para permitir ao longe o restolhar das folhas das palmeiras, umas contra as outras. Quero dizer, faço tudo o que posso para permitir a fúria imobilidade da loucura. E não me referir jamais ao mar.
Agora para dentro. Devagar, depressa e devagar.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
precinha (na orla mmarítima)
história da caçadora de pérolas e o mergulhador de apneia:
Os dois vencemos um
bicho chamado
CANÇÃO
Portanto entre nós (será)
a dança
Maladresses pour s'evader du lit (La femme qui tombe)
terça-feira, 19 de maio de 2009
Atelier
- Quanto mais espero, mais se amontoam as pequenas mortes.
E saiu, esfregando as mãos na alegria da construção.
VASCO, CANÇÃO
a nossa melhor parte, Eurídice, crescem depois
rosa-dos-ventos.
fui eu?
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Expulsão: Cena primitiva do desvelo. Acto I
Não choro por tu estares morta mas porque eu, enquanto viver, estarei morta para ti.
Doravante, calarei para dizer, como Hölderlin, Sou «a criança dos cabelos de cinza». A que intenta habitar o intervalo entre as duas idades. O Artista. Aquele que aceita - e não aceita- a morte imemorial da mãe.
Vivo. Isto é, ouvir-te ainda dizer: depois de mim, vivei antes de mim.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Terna É a Noite do 13 de Maio
Para que eu de alguém possa tirar o molde em cera dos seu orgãos todos, os internos, e depois os deitar à grande labareda da noite que é o ritual pagão do santuário que só nos ascende a naúsea e a interior gargalhada do fogo- Não é bem uma queimada isto, não trará plantas novas com as próximas chuvas nem servirá para elevar ou dissipar um cheiro a pús. Não: o vento ao passar sempre queimou a relva, e a ferida sempre cicatrizou cauterizada. Queimamos para encerrar o sistema de poderes. Para reunir o cheiro e com ele mascarrar as narinas internas. É assim que ternamente levamos.
sábado, 9 de maio de 2009
A meus braços
Já nenhuma luta me protege/ Estou no que ao relento de mim/ foge/ E fica. Luta. REÚNE.
Uou uou uou uou.
domingo, 3 de maio de 2009
El libro de sombras
1
abrir sulcos
buracos
clareiras
2
obedecer sempre à natureza (para saber onde rasgar)
3
o que é diferente de a imitar.
4
mesmo aprendendo com a espera, os mecanismos que nadam.
5
Enfim, cavar.
Isto é,
Ao longe
(com desdém),
alguém
faz o lume.
terça-feira, 28 de abril de 2009
Meu caro gigante verde,
o amor é um dédalo mortal.
cortaste a cabeça e sem ela e com a ajuda de uma marmoreada enxada cavaste directo para a lógica da construção do murete.
Disponho-a aqui como uma colecção de ossos. Gigante, ninguém sabe mas no que toca a estas mãos a lógica para a construção é a estreita passagem entre as árvores:
clavícula esquerda clavícula direita
caixa
bras/main gauches bras/main droites
bacia
mesa
perna esquerda perna direita
pieds
terça-feira, 14 de abril de 2009
A doutrina herética de certos artistas já, pobres, tão magoados
Misteriosamente o ferro é dobrado. Consumamos sacrifícios onde fazemos entrar em nós belíssimos objectos, frutos, cascas de árvore. Mas misteriosamente o fogo dobra aquilo que veio para ser duro. E se um obscuro trabalho se dedica a iluminar as hastes do medo, não deve querer apontar nenhum caminho, confiamos.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Et pourquoi veut-elle voir ce rayon vert?
Obsessão que jamais estreita o léxico, mas que a tudo levanta sucessivos cercos como uma aldeia de irredutíveis crescendo do centro para fora, e vice-versa, obsessão. Não é repetição ter um alfabeto reincisivo. Pouco talvez, o sangue. Mas espesso.
Cendres, sulco, externo, raio verde. Amor nunca.
sábado, 4 de abril de 2009
La devota,
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Sister Irma III (el Muerto, el increíble)
[Aqui a descrição da sua pequeníssima e não tão contida assim pintura de Cristo a Ser Carregado para o Sepulcro no Jardim de José de Arimatéia.
Mostrar a figura da mulher que está voltada para o observador e que nos acena freneticamente para que larguemos tudo e corramos a ver. E a levar.
Mas sobretudo mostrar a figura, a imensa possibilidade da figura de Maria Madalena que caminha destacada da multidão e cuja postura, cara, cores em nada indicam o grau de intimidade com O Falecido.]
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Vinte e cinco (XXV)
segunda-feira, 23 de março de 2009
terça-feira, 17 de março de 2009
Hammām
terça-feira, 10 de março de 2009
Via lunga
Assim uma larga escadaria de pedra adornava o palacete e prometia. E em todas as rasgadas divisões se improvisaram os amorosos refúgios de campanha: sucessivas tendas dentro dos salões envidraçados (e uma era para mim).
Como cama, uma rede atravessada e de resto, nada. É, foi verão na nossa noite.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Os homens nus na escultura não são tão bonitos como as rãs
Quem chorou já por uma parede, que acuse a pedra. A única mulher que realmente amou uma fachada - que vinha acariciar a pedra quente nos dias de sol e fazia companhia, com um pequeno guarda-chuva, nas noites de trovoada- fê-lo por cansaço.
terça-feira, 3 de março de 2009
A apresentacao do rosto:
Encontrei o meu anjo
sentado numa turva plateia.
Fumava um cigarro,
com os olhos brilhantes.
Sandro Penna